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História das modalidades

Cabo de guerra, críquete e outros esportes que já estiveram nos Jogos

Por Equipe Ahuhox · Publicado em · Revisado em · Leitura de cerca de 5 min

Existe a ideia de que o programa olímpico é fixo, como se atletismo, natação e ginástica estivessem lá para sempre e o resto fosse acrescentado. Na prática, a lista de esportes muda o tempo todo. Alguns saem, outros entram, e alguns voltam depois de anos de pausa.

Este texto mostra exemplos de esportes que já fizeram parte dos Jogos, os que voltaram e os motivos mais comuns para a lista mudar. Alguns casos são curiosos, e vários mostram que o conceito de esporte olímpico mudou bastante desde 1896.

Esportes que desapareceram do programa

O cabo de guerra foi disputado nos Jogos entre 1900 e 1920. Duas equipes puxavam uma corda em lados opostos, e quem arrastasse os adversários vencia. A modalidade saiu e não voltou, embora siga viva em competições recreativas e escolares.

O críquete apareceu em Paris, em 1900, em um torneio com apenas duas equipes, Grã-Bretanha e França. O croqué, jogo em que se bate numa bola com um martelo para passar por arcos no gramado, também esteve naquela mesma edição. Em geral, esses esportes entraram quando o programa dos Jogos ainda era desorganizado e misturado a feiras internacionais. Hoje cada modalidade precisa ter federação internacional, regras escritas e competições regulares em vários países, além de público e praticantes em diferentes continentes.

Houve ainda competições de arte. Entre 1912 e 1948, os Jogos incluíram concursos de arquitetura, literatura, música, pintura e escultura. A ideia era juntar corpo e cultura. Com o tempo, o COI deixou os concursos de lado e passou a concentrar o programa no esporte.

Os que voltaram: golfe, rugbi e beisebol

O golfe fez parte dos Jogos no começo do século 20 e ficou ausente por mais de um século. Ele voltou ao programa no Rio de Janeiro, em 2016, o que o torna um dos retornos mais longos da história olímpica. O Brasil sediou, portanto, o primeiro golfe olímpico em muito tempo.

O rugbi também voltou em 2016, mas em outra versão. Antes disputado em 15 jogadores, ele reapareceu como rugbi sevens, com sete atletas por time e partidas curtas. A mudança de formato ajudou a encaixar o esporte no cronograma dos Jogos. A diferença entre as duas versões está no texto sobre sevens e rugbi de 15.

O beisebol e o softbol foram retirados do programa depois de 2008, e voltaram para Tóquio, em 2020, como modalidades da cidade-sede. Esse caso mostra outro mecanismo: o programa é decidido por edição e pode aceitar esportes que ajudam a tornar a festa local mais próxima do público.

Exemplos de esportes que saíram e voltaram
EsporteO que aconteceu
Cabo de guerraEsteve entre 1900 e 1920 e não voltou
CríqueteAparece em 1900 e deixa o programa
GolfeEsteve no início do século 20 e voltou em 2016
RugbiVoltou em 2016, na versão sevens
Beisebol e softbolSaíram após 2008 e reapareceram em Tóquio 2020

Por que o programa muda

O COI revê o programa de modalidades de tempos em tempos. Entre os critérios mais citados estão a popularidade do esporte, a presença de federações organizadas em vários países, a igualdade entre homens e mulheres no programa e a estrutura necessária para realizar a prova. A cidade-sede também pode propor esportes que fazem sentido para o público local.

Há ainda o limite de tamanho. Os Jogos não podem crescer sem fim em número de atletas e de locais de prova. Quando um esporte entra, outro pode precisar sair ou perder vagas. Por isso as disputas por espaço no programa são frequentes e, às vezes, polêmicas.

Um caso conhecido é o da luta olímpica. Em 2013, houve uma recomendação para retirar a modalidade do programa, o que gerou forte reação mundial, e a luta acabou mantida depois de uma votação do COI. O episódio mostra que a permanência de um esporte pode depender de mudanças de regra e de gestão da própria federação.

Novos esportes também mostram a mudança

A mesma lógica explica as entradas recentes. Skate, surfe e escalada esportiva estrearam em Tóquio, em 2020, e o breaking, uma dança competitiva conhecida como break, entrou em Paris, em 2024. Todos são esportes com forte apelo entre jovens, e foram incluídos justamente para atrair esse público. Eles usam locais fora do estádio tradicional, como parques e praias, o que também muda o clima da festa.

Um ponto que costuma passar despercebido é o dos nomes. Muitas vezes, um esporte não sai por inteiro: o que muda é a disciplina. O rugbi, por exemplo, voltou em outra versão, e o ciclismo e a ginástica ganharam e perderam provas ao longo do tempo. Por isso, quando alguém diz que um esporte entrou ou saiu, convém perguntar qual formato e qual prova.

Para quem estuda ou ensina educação física, esse tema é útil para mostrar que esporte é uma construção cultural. O que é olímpico em uma época pode não ser em outra, e isso depende de decisões, regras, interesse do público e organização das federações. Essa visão ajuda a evitar a ideia de que existem esportes naturalmente superiores a outros. Uma boa atividade em sala é pedir que os alunos pesquisem um esporte que já foi olímpico e discutam por que ele saiu.

Isso não significa que o programa de hoje seja definitivo. As modalidades de uma edição podem não estar na seguinte, e a lista oficial de cada Jogos deve ser consultada nas fontes do COI e do Comitê Olímpico do Brasil.

Erros comuns de quem assiste

Perguntas frequentes

O cabo de guerra já foi esporte olímpico?

Sim, esteve nos Jogos entre 1900 e 1920.

O golfe voltou aos Jogos quando?

Em 2016, no Rio de Janeiro.

Quem decide as modalidades dos Jogos?

O COI, em diálogo com as federações e a cidade-sede.

Beisebol e softbol saíram para sempre?

Não. Foram retirados após 2008 e voltaram em Tóquio, em 2020.

A luta olímpica quase saiu do programa?

Sim. Houve uma recomendação em 2013, mas a modalidade foi mantida.

Fontes

As regras mudam a cada ciclo olímpico. Confira o regulamento da edição nas fontes abaixo.

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